eu queria ter uma casca. uma casca bem grossa, dura, que sangue não saísse, nem luz atravessasse o meu corpo. uma casca de tamanho inteiro, graúda um tanto, que separasse o que está dentro e fora. uma casca que tampouco mostrasse a epiderme, esse fracasso de casca, invólucro fake news. minha casca teria cheiro, ou melhor, fedor. uma casca com fedor de percevejo, ovo podre, chorume. e sua cor seria de nada para o benefício da invisibilidade e da proteção. a minha casca teria o poder de perdurar incrustada, permanente, forte. ela teria vida própria e me engoliria inteira, e de meu corpo não sobraria carne-viva.
Publicado por Maria CaPoeira
Imagem de autoria desconhecida

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