Não conheço parte do corpo que seja mais bela de desejo que o sovaco. Sim, porque cada sovaco não é só uma mera concavidade. É um lugar secretamente sensível ao estímulo mais delicado, de onde brotam gozos que reverberam pela pele inteira, estremecem as estruturas. Seus contornos são exóticos, superfícies-buracos com ou sem pêlos, formando ângulos sedutores. Sua existência não acaba em nossa pele, invade mitos, atordoa imaginários, desvirtua o rumo do tempo, desequilibra as linhas dos espaços. Com os longilíneos braços, apresenta-se timidamente ao frondoso e ilustre busto, insinuando um colo amante. Eixo de movimento, num jogo sedutor de mostrar e esconder imperativo de desejo. Cobiça de meus olhos, de meus dedos, excita-me otras cosas más. Preciso reconhecer que sou uma adoradora de sovaco. Axila, num léxico mais pudico. Contudo não são todos os sovacos merecedores de minha devoção. Infeliz daquela pessoa que não tiver um sovaco bem amado, ou não souber como se achegar ao meu.
Publicado por Alaíde das Flores Aquarelas de Conrad Roset



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