Cena 1 - Entrada do Hospital Municipal Miguel Couto - Dia A porta automática se abre, e por ela, passa um homem de meia idade, magro, ...
O Homem Podre
Cena 1 - Entrada do Hospital Municipal Miguel Couto - Dia
A porta automática se abre, e por ela, passa um homem de meia idade, magro, sem camisa, calça escura larga e rasgada, pés descalços. Ele está sujo e suado, caminha com dificuldades mancando da perna direita, tomba sua cabeça para o lado oposto. No detalhe percebe-se que o lado esquerdo da sua cabeça está afundada, como se o crânio estivesse rachado e o coro cabeludo apenas lhe cobrisse os miolos do cérebro.
Cena 2 - Calçada na Autoestrada Lagoa-Barra - Dia
Ele caminha com dificuldades pela rua gemendo e estendendo uma das mãos para os pedestres na rua. Passa um jovem que finge não o vê, passa uma senhora que segura a bolsa com força e aperta o passo para se distanciar dele, passa um senhor que sente pena, porém nada faz.
Ninguém ajuda o inválido, muito menos lhe perguntam se precisa de algo, todos o ignoram.
Argumento
É tanta miséria ao redor, que ninguém se sente responsável por nada que acontece nesse mundo. Nos tornamos insensíveis e alheios ao caos de nossa própria realidade. Cegos seletivos que preferem não enxergar o sofrimento, mesmo que isso aconteça diariamente na frente dos nossos olhos. O grave dessa tragédia é não se deixar afetar por isso, o mínimo desconforto, pois todos preferem ignorar o fato, tamanho fardo. Quem poderá se incomodar? Como aguentar tamanha dor? Até quando essa desgraça? Preferimos colocar barreiras invisíveis, blindagens fictícias que nos ilude quanto à realidade.
Ver já não atinge ninguém, assim se fortalece a "indústria do medo". Quem será capaz de transpor essa fina camada de vidro entre nós e o homem podre. Esqueceram de dizer que ainda somos humanos, demasiados em contraste com o "super", apenas míseros homens de carne, osso e mente. O descaso apodrece qualquer vida, sentenciando a civilização a sua auto destruição. Não existe arma para combater o descaso, mas podemos sim lutar para reverter os seus efeitos.
Escrito por: Zé do Caroço
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