Imagine aleatoriamente duas pessoas. Elas foram criadas em cidades diferentes, estados ou até mesmo países em polos extremos do mundo. Uma sem educação, aprendeu tudo caindo e levantando na escola da vida, ensinada por pessoas quase iguais a ela. Enquanto a outra estudou nas melhores instituições particulares de ensino da cidade, referência em novos modelos de educação humanista. O pai de uma delas faleceu quando ainda era criança, já a outra, apesar de os pais ainda vivos, sempre foram ausentes por conta de uma rotina árdua de trabalho diário. As personalidades delas foram afetadas de acordo com suas criações, ou seja, a sensibilidade, atitudes, inseguranças, compreensão, desejos, empatia, amor, prazer, limites.
Uma noite muito louca eles se conhecem, algo no outro chama a sua atenção, trocam olhares, palavras, contatos. Porém não rola nada naquele dia. Semana depois, um deles quer o reencontro, pesquisa o seu nome em uma rede social. Deixa o seu recado e reforça a intenção. Ficam, se curtem e namoram. Passados alguns meses, os dois resolvem morar juntos, afinal, a paixão é incontrolável. Sexo? Rola solto, duas a três vezes por dia. É diversão garantida! Os dois criam planos juntos, viagens exóticas, noitadas, família etc. O primeiro ano é descoberta, cumplicidade, companheirismo, joguinhos, respeito, atenção, solidariedade, carinho, serenidade.
Até que...
A decepção de um relacionamento problemático que se arrasta sem solução entristece os dois envolvidos. Ninguém tem coragem de colocar um ponto final, as brigas são diárias e a cada novo desentendimento, desolação. Onde existe a esperança do amor, sobram tristezas cultivadas por mágoas, ou atitudes egoístas e desrespeitosas. Na falta de perspectiva, alguém tenta virar a página e fazer um recomeço para a relação. Por que insistir em algo que não está dando certo? Essa mesma teimosia que segura a aliança causa angústia e reforça o pouco sentimento que ainda lhes resta. Será que não existe mais afeto? Acaso, por que continuar com a relação? Estaria as relações fadadas ao fracasso?
Escrito por Zé do Caroço

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