Se existe uma verdade, é que todo
mundo morre no final. Ter a consciência de que a morte chega para todos parece
algo muito óbvio. Não apenas os outros que morrem, mas meus
amigos, meus parentes. Como uma contagem de dedos em que se vão todos das mãos
e dos pés, chego até mim. Até eu mesma morrerei. A distância e a proximidade
desse momento encharcado me causa um agudo sentimento paradoxal. Há dias vivi
o desalento da morte de alguém muito jovem, perto de mim, e minha lamúria transformou a
distância entre eu (viva) e esse alguém (morto) muito pequena. Senti calafrios, sofri
imensamente por mim, pelos meus adiamentos. Meus adiamentos de vida que, frente àquele
corpo sem alma, pode nunca vir. Sem abstrações, sem promessas, sem enganos. Por fim, meu choro contido se fez enxurrada.
Publicado por Alaíde das Flores
Fotografias de Margriet Smulders




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