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Sentia que perdia algo
tão estranho quanto não saber
eu via através dos carros em alta velocidade
a irreparável e certa via de perder
mexia nas cortinas de medo
na busca por respostas
e pela janela eu via o fosso
entre o que se é e o que se pode ser
escondia as abundâncias
nas caixas das potências
para que não se perdesse nada
perplexa com o não ter
fechadas as janelas
os sons dos carros invadiam os vidros
cerradas as cortinas
o fosso vinha nos sonhos
à beira da perda
as caixas se enchiam de moscas
e vermes de geração espontânea
remanescentes ideias mortas
Fotografia de autoria desconhecida

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